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Efeitos na Saúde
Qualidade

Baía do Seixal


A poluição do ar tem vindo a ser a causa de um conjunto de problemas, nomeadamente a degradação da qualidade do ar, a exposição humana e dos ecossistemas a substâncias tóxicas, danos na saúde humana, nos ecossistemas e património construído, chuvas ácidas, deterioração da camada de ozono estratosférico, o aquecimento global e as consequentes alterações climáticas.

No que se refere aos efeitos na saúde humana destacam-se os problemas ao nível dos sistemas respiratório e cardiovascular. Quanto aos danos nos ecossistemas pode referir-se a oxidação de estruturas da vegetação que, entre muitas outras consequências, origina a queda prematura das folhas em algumas espécies ou o apodrecimento precoce de alguns frutos. No que respeita aos danos ao nível do património construído pode citar-se o caso dos poluentes acidificantes que atacam quimicamente as estruturas construídas, causando a degradação dos materiais.

Os efeitos dos poluentes atmosféricos variam em função do tempo e das suas concentrações. Assim, podem distinguir-se em efeitos crónicos e agudos da poluição atmosférica. Os efeitos agudos traduzem as altas concentrações de um dado poluente que, ao serem atingidas, podem ter logo repercussões nos receptores. Os efeitos crónicos estão relacionados com uma exposição muito mais prolongada no tempo e a níveis de concentração mais baixos. Embora este nível seja mais baixo, a exposição dá-se por um período prolongado, o que faz com que possam aparecer efeitos que derivam da exposição acumulada a esses teores poluentes.

As emissões atmosféricas geram problemas a diferentes escalas, desde uma escala local, como as concentrações de monóxido de carbono, provenientes do tráfego junto a estradas congestionadas, até à escala global, cujo melhor exemplo são as alterações climáticas que se traduzem, entre muitos outros efeitos, pelo aquecimento global do planeta com todas as repercussões daí resultantes.

No quadro seguinte resumem-se os efeitos na saúde humana provocados por alguns poluentes atmosféricos.

Quadro 1 – Efeitos na saúde humana de alguns poluentes atmosféricos abrangidos pelos  Decretos-Lei n.º 111/2002 e n.º 320/2003

Poluente

Efeitos na saúde humana

CO

(monóxido de carbono)

Reduz a capacidade de transporte de oxigénio até aos tecidos vitais pelo sangue, afectando os sistemas cardiovasculares e nervoso. Em concentrações extremas pode provocar a morte por envenenamento.

Em concentrações mais baixas pode ser gravoso para indivíduos com problemas cardiovasculares e reduz o desempenho desportivo. Concentrações elevadas podem causar sintomas como dores de cabeça, tonturas e fadiga.

NO 2

(dióxido de azoto)

Concentrações elevadas podem provocar problemas do foro respiratório, principalmente em crianças, tais como asma ou tosse convulsa.

É um poluente acidificante, que pode contribuir para a formação de chuvas ácidas, as quais acidificam os meios naturais e atacam quimicamente algumas estruturas (por exemplo, os metais) e os tecidos vegetais.

SO 2

(dióxido de enxofre)

Os seus efeitos encontram-se associados a doenças respiratórias (bronquite crónica ou asma) e cardiovasculares.

É um dos gases que contribui para as chuvas ácidas, que têm como consequência a acidificação dos meios naturais ou a corrosão de materiais metálicos.

PM

(partículas)

As partículas de maior diâmetro são captadas pelas mucosas nasais, que impedem a sua chegada aos pulmões. No entanto, as partículas mais finas (produzidas pelo tráfego rodoviário) conseguem chegar aos pulmões com graves consequências ao nível da saúde.

As partículas microscópicas podem afectar a actividade respiratória, em especial da população de risco, como as crianças e idosos, bem como daqueles que sofrem de doenças cardiovasculares e pulmonares.

O nível de risco depende do tamanho das partículas e da sua toxicidade. As partículas em suspensão também afectam o coberto vegetal e reduzem a visibilidade.

Pb

(chumbo)

Quando inalado, distribui-se por todo o organismo, sendo dificilmente eliminado e acumulando-se no tecido ósseo.

É um metal pesado que produz envenenamento enzimático. Altera o funcionamento de vários órgãos, afectando o sistema nervoso central, o tecido cerebral e provoca anemia.

C 6 H 6

(benzeno)

Quando inalado afecta principalmente o fígado, a placenta e a medula óssea. Provoca doenças como a leucemia, cancro da pele e do pulmão.

O 3

(ozono)

Ao contrário dos outros poluentes, este não é emitido directamente para o ar, sendo formado pela acção da luz solar nos óxidos de azoto, monóxido de carbono e compostos orgânicos voláteis (resultantes de vapores de gasolina, solventes químicos e combustões) A sua oxidação provoca irritações do tracto respiratório, causando dificuldades respiratórias, inflamações brônquicas ou tosse. Estes efeitos fazem sentir-se especialmente em grupos sensíveis, como as crianças, idosos, doentes cardiovasculares e do foro respiratório.

O ozono é o principal constituinte do smog fotoquímico (mistura de nevoeiro e poluição). A exposição a níveis baixos deste poluente pode reduzir as funções pulmonares, originando dores no peito, tosse, náuseas e congestão pulmonar. A destruição das produções agrícolas e das árvores são outra das suas consequências.

Dioxinas e dibenzofuranos

Algumas dioxinas e dibenzofuranos são compostos cancerígenos para os animais e também para seres humanos. Embora ainda não sejam totalmente conhecidos todos os efeitos das dioxinas nem estejam explicados todos os mecanismos pelos quais elas actuam, já existe informação toxicológica suficiente que permite classificá-las como das substâncias mais tóxicas conhecidas.

Compostos Orgânico Voláteis

Elevadas concentrações de COV contribuem para a formação de ozono e de smog. Alguns dos compostos orgânicos que integram esta vasta família são considerados cancerígenos.

Efeitos na saúde provocado pelo fenómeno do aumento do Efeito de Estufa
De acordo com alguns cientistas, um aumento consecutivo da temperatura à superfície da Terra, provoca uma alteração climática o que leva a um aumento de ondas de calor, cheias e consequentemente do aumento no número de doenças infecciosas através da proliferação de pestes.

Um caso bastante actual refere-se ao fenómeno do El Niño, um aumento de temperatura no sistema oceânico, que deu origem a uma onda quente por todo o mundo. Como resultado directo, verificou-se uma deslocação dos mosquitos responsáveis pela propagação da malária e febre amarela para regiões temperadas a altitudes mais elevadas, atacando os grupos de pessoas mais vulneráveis da sociedade.