Autarcas da península de Setúbal contestam fecho das urgências

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03 Mar '26

Os nove presidentes de câmara da península de Setúbal entregaram, esta segunda-feira, uma missiva à ministra da Saúde a manifestar repúdio pelo encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro, alertando para o agravamento das condições de acesso aos cuidados de saúde na região.

O presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, juntamente com os restantes autarcas dos municípios da península de Setúbal, concentrou-se esta segunda-feira, 2 de março, junto ao Ministério da Saúde para entregar uma carta à ministra da Saúde, Ana Paula Martins. O objetivo foi manifestar, de forma unânime, a oposição ao encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia do Hospital Nossa Senhora do Rosário, integrado na Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho Sul.

Segundo os autarcas, a unidade hospitalar serve vários milhares de utentes e o encerramento anunciado irá potenciar «o agravamento das condições ao nível da saúde pública, num território cujo PIB per capita é o mais baixo do país e sobrecarregando ainda mais o Hospital Garcia de Orta, em Almada».

Paulo Silva e os restantes presidentes de câmara sublinham que «esta decisão foi tomada sem ouvir ninguém, nem sequer as comissões de utentes da saúde, facto que prejudica gravemente a população da nossa região. Esta medida terá como consequência imediata uma concentração ainda maior das urgências de obstetrícia no Hospital Garcia de Orta, tornando cada vez mais caótica a situação já existente neste hospital. Estamos a falar de mulheres grávidas que ficam praticamente sem respostas de proximidade, sendo empurradas para uma unidade hospitalar que, atualmente, já não reúne condições, nem ao nível das instalações, nem do número de profissionais de saúde, para dar resposta ao previsível aumento da procura. O cenário que se adivinha é, pois, inaceitável, prevendo-se a continuação dos partos realizados em ambulâncias, que colocam um risco acrescido para mães e bebés».

Perante este cenário, a Comunidade Intermunicipal da Região de Setúbal reuniu extraordinariamente os nove autarcas que lideram os municípios que a integram, tendo decidido avançar com esta ação de contestação. «Não aceitamos decisões tomadas à distância, sem conhecimento da realidade e sem respeito pelas populações. Defender o Serviço Nacional de Saúde é defender a dignidade, a segurança e o futuro de todos. E, nessa luta, não recuaremos», afirma Paulo Silva, alertando para o crescimento populacional na margem sul do Tejo, tal como referido na missiva: «Estamos prestes a viver uma transformação sem precedentes, impulsionada por projetos estruturantes tais como a 3.ª Travessia do Tejo, o TGV, o novo Aeroporto de Lisboa e o Projeto Parques Cidades do Tejo».

O autarca do Seixal acrescenta que «a falta de respostas de saúde adequadas compromete a confiança da população no Serviço Nacional de Saúde, num contexto em que a mortalidade infantil na península de Setúbal é superior à média nacional, em que os partos realizados em ambulâncias, em consequência do reencaminhamento de grávidas para o Hospital Garcia de Orta, continuam a aumentar, em que subsistem as mortes por demora nos meios de socorro e em que 40 por cento da população não tem médico de família atribuído».

Estas preocupações levam Paulo Silva a reiterar a necessidade de construção de uma nova unidade hospitalar no concelho: «Como será assegurado o reforço da capacidade hospitalar? Precisamos, com a máxima urgência, que seja construído o futuro hospital no Seixal!»

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