Festival de Teatro percorre vários palcos do concelho
A decorrer entre 12 e 22 de novembro, a 43.ª edição do Festival de Teatro do Seixal reúne oito peças que pretendem promover a reflexão sobre a fragilidade do valor da liberdade, passada e presente, precisamente no ano em que se está a comemorar o 50.º aniversário da Constituição da República Portuguesa.
O festival arranca com uma peça sobre a Palestina, focada no quotidiano possível num território ocupado de um país que não é reconhecido como tal. «Exercício de Montagem. Uma performance que é um Filme Futuro» é uma criação coletiva do Teatro do Vestido e da artista palestianiana Tarab برط, que se apresenta no dia 12 de novembro, no Auditório do Fórum Cultural do Seixal.
«Paredes com Ouvidos. A Censura e a Tortura no Estado Novo» parte da inquietante pergunta «se as paredes falassem, se acordassem do sono do esquecimento e nos contassem a história dos corpos e das sombras, das vozes, dos gritos, e dos silêncios de que foram testemunhas, o que diriam?», a produção é da Rugas – Associação Cultural e apresenta-se no dia 13 de novembro, no Auditório José Queluz, na Junta de Freguesia de Corroios.
A reflexão sobre como é viver num sistema autoritário, sem ver, ouvir e sem ter voz também está presente nesta edição, através do texto de «Ano 2200. Uma Visão Poética e Apocalíptica da Humanidade». Uma produção da Associação Cultural a Caravana Passa que vai estar no Cinema S. Vicente, Aldeia de Paio Pires, no dia 14 de novembro. O papel do trabalho nas nossas vidas, enquanto sociedade e indivíduos é o tema da peça encenada por Igor Gandra, pelo Teatro de Ferro, que vai estar no Fórum Cultural do Seixal no dia 15 de novembro.
Na mesma sala, no dia 19 de novembro, o texto de Djaimilia Pereira de Almeida é a base da peça «As Telefones», encenada por Zia Soares, sobre uma mãe e uma filha que falam sem se ouvirem ou responderem.
No dia 21 de novembro, tem lugar a peça «O Meu Problema com o Rei Lear», uma criação Causas Comuns, com base num texto traduzido por Álvaro Cunhal, que propõe uma leitura crítica de «O Rei Lear», que vai estar em cena no Centro Cultural José Saramago, em Amora.
A fechar a 43.ª edição do festival apresenta-se «Constituição», uma produção CCB/Fábrica das Artes, com texto e encenação de Isabel Costa. Através de um dispositivo que lembra uma assembleia, dois intérpretes e um músico intercalam a recriação de momentos históricos com a vida diária de três jovens, percorrendo os tempos conturbados do fim do Estado Novo e da afirmação da jovem democracia.
Escolas secundárias recebem festival
A Escola Secundária de Amora transforma-se em sala de teatro e recebe «Aurora», a história da estudante universitária presa e torturada pela PIDE-DGS. O espetáculo é uma criação de Inês Melo, do RAIAR – Laboratório Criativo, para ver no dia 20 de novembro neste estabelecimento de ensino. Além desta apresentação para o público em geral, «Aurora» vai estar também em cena em todas as escolas secundárias do concelho, com apresentações destinadas aos alunos deste nível de ensino. A iniciativa é uma das novidades desta edição.
Todos os espetáculos do programa têm entrada gratuita. As peças apresentadas no Fórum Cultural do Seixal vão ser acompanhadas de Língua Gestual Portuguesa, legendagem e audiodescrição.
Consulte a programação completa aqui.
Partilhar

