A importância das árvores nas alterações climáticas
Num contexto em que as alterações nos padrões climáticos globais são cada vez mais evidentes, as árvores desempenham um papel fundamental na construção de territórios mais resilientes e na melhoria da qualidade de vida das populações. Mais do que elementos paisagísticos, são verdadeiras infraestruturas naturais que ajudam a regular o clima e a proteger o ambiente urbano.
Durante o processo de fotossíntese, as árvores absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e armazenam-no no tronco, nas raízes e nas folhas, contribuindo para reduzir a concentração de gases com efeito de estufa. Ao mesmo tempo, ajudam a regular a temperatura ambiente: através da sombra e da libertação de vapor de água, podem reduzir a temperatura entre 2 e 8 graus, diminuindo também a necessidade de ar condicionado.
O contributo das árvores vai ainda mais longe. Aumentam a permeabilidade do solo, favorecendo a infiltração da água e reduzindo o escoamento superficial, o que ajuda a regular o ciclo hidrológico. Melhoram também a qualidade do ar, filtrando poluentes como o monóxido de carbono e partículas em suspensão, e promovem a biodiversidade urbana, fornecendo alimento e abrigo para aves, insetos e outras espécies.
Além dos benefícios ambientais, o contacto com espaços arborizados tem impactos positivos na saúde e bem-estar da população, contribuindo para reduzir níveis de stress e ansiedade.
Plantação e gestão do arvoredo
Todos os anos, entre outubro e março, a Câmara Municipal do Seixal realiza campanhas de plantação de árvores. O objetivo é substituir exemplares que pereceram e reforçar a arborização em zonas identificadas como deficitárias.
Este plano de reflorestação integra contributos técnicos municipais e propostas apresentadas pelos munícipes. Um dos objetivos definidos é garantir que 60 por cento das espécies plantadas sejam autóctones — ou seja, originárias do território — por estarem mais bem adaptadas às condições do solo e do clima.
Entre as espécies arbóreas autóctones portuguesas destacam-se o carvalho, a azinheira, o sobreiro, o amieiro, o freixo e a oliveira. No estrato arbustivo, assumem relevância espécies como o alecrim, a aroeira, a esteva, o louro ou o zimbro.
Inventário do património arbóreo
Desde agosto de 2025, o Município encontra-se também a realizar o inventário completo do seu arvoredo, em cumprimento da Lei n.º 59/2021, de 18 de agosto. A conclusão deste trabalho está prevista para o final do primeiro semestre de 2026.
Este registo permitirá obter um retrato rigoroso do património arbóreo municipal e estruturar um plano de gestão que defina as intervenções necessárias para a sua conservação e valorização.
Estado de conservação das árvores
Os resultados preliminares do inventário indicam que a maioria do património arbóreo municipal se encontra na categoria «Razoável». Isto significa que apresenta vitalidade moderada, podendo evidenciar sinais ligeiros de stress ou alguns ramos secos. Nestes casos, são sobretudo necessárias ações de manutenção preventiva, como podas técnicas e limpeza.
O levantamento permitiu também identificar alguns conflitos resultantes da interação entre o crescimento natural das árvores e as limitações do espaço urbano. Entre as situações mais frequentes estão a insuficiência de espaço para o desenvolvimento das raízes, o levantamento ou degradação de pavimentos provocado pelo crescimento radicular, conflitos com redes elétricas, de iluminação pública ou de telecomunicações, bem como a proximidade excessiva a edifícios.
Estas situações reforçam a importância de articular o planeamento urbano com a gestão do arvoredo e de aplicar critérios técnicos rigorosos na seleção das espécies e no dimensionamento adequado das caldeiras.
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